Tinhamos apenas uma caneta, bem pouco dinheiro, uma mala na mão direita e um ideal na mão esquerda.Parecia bem pouco, mas, perto do que carregava firmemente na mão esquerda, como se fosse o mais valioso dos meus bens(mesmo sendo este imaterial), se tornava o suficiente - nossos ideais faziam de tão pouco, muito.
Sim, éramos jovens. A nós pertencia o amor pela vida, a vontade de mudar o mundo e todas as utopias em que quiséssemos acreditar. E acreditávamos com tanta vontade, com tanta paixão, que estas se tornavam, aos poucos, os pilares de nossas vidas.Nada do que fosse permetido nos atraia: gostavamos de tocar o desconhecido. Ninguém além de nós entendia essa sede de viver,apesar de nossa intenção nunca ter sido chocar ou chamar a atenção(apesar desta ser precisa por vezes), fazíamos coisas proibidas como prova de nossa liberdade. Era apenas isso: queríamos nos sentir livres. O mundo nos tinha sido apresentado com padrões e regras a serem seguidos, mas nós queríamos algo mais deste mundo. Queríamos verdadeiramente ser, ao invés de estarmos sendo sempre.
Apesar de tanta amarras nos prenderem, não desistíamos nunca da felicidade. Estávamos longe de sermos pessimistas. Éramos, antes de tudo, sonhadores. E estes sonhos que nos davam forças para continuar. Parecer idiota, parecer pateta, palhaço, ignorante, burro, louco, doente...nada mais tão simples e banal como aparentar nos importava! Sempre preferíamos "o risco do manicômio ao risco do cárcere".




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